Descobri, na frialdade da ciência,
A incapacidade de compreender
Esta angústia, que me desatina.
É este feixe de luz, e de dúvida,
Enclausurado em eterna reflexão.
Tanto sinto, que não penso.
Tanto penso, que não entendo.
Tanto entendo, que sinto.
É a minha dádiva, o meu karma:
O paradoxo, a dualidade, o equilíbrio.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Brincar de Lego
Queria brincar de lego,
Montar,
Desmontar,
Remontar,
Trocar a peça de lugar,
Mudar a cor,
A forma,
A quantidade.
Mas não tinha blocos.
Decidi fazer com palavras.
E vejam só,
Que curioso:
Construí um soneto!
Montar,
Desmontar,
Remontar,
Trocar a peça de lugar,
Mudar a cor,
A forma,
A quantidade.
Mas não tinha blocos.
Decidi fazer com palavras.
E vejam só,
Que curioso:
Construí um soneto!
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
E se...
E se eu acordasse cedo amanhã
Só para ver o sol nascer?
E se eu matasse aula
Só pra tomar banho de cachoeira?
E se eu estudasse medicina?
Ou literatura? Ou arquitetura?
E se eu pedisse um aumento?
Ou pedisse demissão?
E se eu fosse caminhar no domingo?
E se chover no domingo?
E se eu tomasse chuva?
E se eu saísse na sexta à noite
E encontrasse o amor da minha vida?
E se eu jogasse tudo pro alto,
E começasse do zero?
E se eu jogasse na loteria?
E se eu comprasse uma casa nova?
E se eu viajasse pelo mundo?
E se eu...
E se...
E se eu tivesse feito tudo isso?
Só para ver o sol nascer?
E se eu matasse aula
Só pra tomar banho de cachoeira?
E se eu estudasse medicina?
Ou literatura? Ou arquitetura?
E se eu pedisse um aumento?
Ou pedisse demissão?
E se eu fosse caminhar no domingo?
E se chover no domingo?
E se eu tomasse chuva?
E se eu saísse na sexta à noite
E encontrasse o amor da minha vida?
E se eu jogasse tudo pro alto,
E começasse do zero?
E se eu jogasse na loteria?
E se eu comprasse uma casa nova?
E se eu viajasse pelo mundo?
E se eu...
E se...
E se eu tivesse feito tudo isso?
Paraíso
Subiu no trem
Para o paraíso
Com a mala cheia.
Cheia de tudo
O que não cabe.
Quis levar a saudade,
Quis levar a lembrança,
Quis levar a felicidade.
Partiu com o trem
Para o paraíso,
Mas deixou a mala
E, com ela,
Saudade,
Lembrança,
E um tímido sorriso
Estampado nos rostos,
Dando a cada um,
Um pouco da alegria
Com que vivera.
Para o paraíso
Com a mala cheia.
Cheia de tudo
O que não cabe.
Quis levar a saudade,
Quis levar a lembrança,
Quis levar a felicidade.
Partiu com o trem
Para o paraíso,
Mas deixou a mala
E, com ela,
Saudade,
Lembrança,
E um tímido sorriso
Estampado nos rostos,
Dando a cada um,
Um pouco da alegria
Com que vivera.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Pessoas
Viajando por um mundo
De infinita poesia
Vi o mestre
Em sua serena natureza,
Guardando rebanhos,
Imerso em seu próprio paradoxo
De pensar em não pensar.
Ouvi Reis e suas odes,
Latinistas,
Monárquicas,
Eruditas.
Vi Reis e seus fascínios
Árcades,
De simplicidade construída,
Forjada em intelecto.
Revisitei Lisboa,
Vislumbrei grandes obras,
Vi a exaltação à modernidade
E às máquinas.
Vi a decadência,
Visitei a Tabacaria,
Regressei ao lar,
Vi a reinvenção da glória
E do sebastianismo.
Vi poetas míticos,
E poetas angustiados.
Vi multiplicidade
E suas contradições.
Vi as diferentes nuances,
Das diferentes pessoas,
Simultaneamente distintas e iguais.
São todas a mesma pessoa.
São todas o mesmo Pessoa.
De infinita poesia
Vi o mestre
Em sua serena natureza,
Guardando rebanhos,
Imerso em seu próprio paradoxo
De pensar em não pensar.
Ouvi Reis e suas odes,
Latinistas,
Monárquicas,
Eruditas.
Vi Reis e seus fascínios
Árcades,
De simplicidade construída,
Forjada em intelecto.
Revisitei Lisboa,
Vislumbrei grandes obras,
Vi a exaltação à modernidade
E às máquinas.
Vi a decadência,
Visitei a Tabacaria,
Regressei ao lar,
Vi a reinvenção da glória
E do sebastianismo.
Vi poetas míticos,
E poetas angustiados.
Vi multiplicidade
E suas contradições.
Vi as diferentes nuances,
Das diferentes pessoas,
Simultaneamente distintas e iguais.
São todas a mesma pessoa.
São todas o mesmo Pessoa.
domingo, 28 de outubro de 2012
Prece
Reze,
Não por uma fé cega,
Não em nome de um deus.
Faça de cada batida de coração
Uma prece.
Mas não se apresse.
A vida é longa,
Tão longa
Quanto o seu coração permitir.
Não por uma fé cega,
Não em nome de um deus.
Faça de cada batida de coração
Uma prece.
Mas não se apresse.
A vida é longa,
Tão longa
Quanto o seu coração permitir.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Homeopatia
Quem foi mesmo que inventou
Que o amor é uma ferida?
Descontentamento?
Dor? Apatia?
Troca a fórmula.
Vem cá amigo,
Toma um gole.
É homeopatia.
É uma dose insana
De devaneios.
É uma dose instantânea
De felicidade.
Que o amor é uma ferida?
Descontentamento?
Dor? Apatia?
Troca a fórmula.
Vem cá amigo,
Toma um gole.
É homeopatia.
É uma dose insana
De devaneios.
É uma dose instantânea
De felicidade.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Preto no Branco
Ruas cinzentas,
Cidades cinzentas,
Nuvens cinzentas,
Pessoas cinzentas.
Será a revolução industrial
E suas máquinas de fumaça?
Será a apatia
Estampada nos rostos?
Serão nuvens carregadas?
Hmm...
Cansei de tudo isso...
Manhêêê!!!
Onde estão os lápis de cor?!?!
Cidades cinzentas,
Nuvens cinzentas,
Pessoas cinzentas.
Será a revolução industrial
E suas máquinas de fumaça?
Será a apatia
Estampada nos rostos?
Serão nuvens carregadas?
Hmm...
Cansei de tudo isso...
Manhêêê!!!
Onde estão os lápis de cor?!?!
Booling
Somos tão diferentes,
Separados não somos nada,
Unidos somos tudo,
As diferenças fazem valer a pena,
Mas se for pra tentar sermos iguais,
Nada mais tem graça.
Somos opostos,
O zero e o um.
Separados não somos nada,
Unidos somos tudo,
As diferenças fazem valer a pena,
Mas se for pra tentar sermos iguais,
Nada mais tem graça.
Somos opostos,
O zero e o um.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Flutuar
Este mundo,
De gravidade física,
Traz-me ao chão,
E aqui me mantém.
Mas leva minha mente,
A um mundo
De gravidade metafísica
E verás que,
Ainda que tudo pese
Em insustentável leveza,
Flutuarei.
De gravidade física,
Traz-me ao chão,
E aqui me mantém.
Mas leva minha mente,
A um mundo
De gravidade metafísica
E verás que,
Ainda que tudo pese
Em insustentável leveza,
Flutuarei.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Ouroboros
Nascimento, Morte.
Renascimento, Morte.
Uma vida, várias existências.
Uma existência, várias vidas.
Cada microexistência, uma mudança.
Cada vida, uma essência.
Cada existência perdura,
Ad aeternum.
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