sábado, 27 de setembro de 2008

Sonho

Quem dera eu fosse um poeta
E você fosse minha poesia.
Quem dera eu fosse a poesia
E você fosse a inspiração.
Quem dera eu fosse a inspiração
E você fosse um sonho.
Quem dera tudo isso fosse um sonho
E seu amor fosse real.

Tempo

O tempo dirá,
Mas ele não tem voz.
Espera-se o futuro
Que nunca chega.
Olha-se para aquilo que já foi
E não mais será.
O rio sempre muda
Mas deságua no mesmo ponto.
A vida é curta,
Mas toda vida é igual,
Todo tempo é igual
O tempo é atemporal.

Estranho Deja Vu

Toda razão é sentida,
Todo sentimento tem uma razão.
Yin, Yang:
Equilíbrio entre opostos.
Desequilíbrio.
Construção, destruição.
Caos:
Corpo e mente em conflito,
Alma tempestuosa,
Coração arritmado,
Pensamentos sem nexo,
Confusão entre fictício e factual.
Dúvida refletida:
Sentir sistematicamente,
Pensar emocionalmente.
Instabilidade.
Efeito borboleta,
Ciclo vicioso:
Estranho deja vu.

Engenheiro das Emoções

Engenheiro irracional
Perdido no labirinto
Que ele mesmo construiu
Sem conhecer os caminhos,
Os becos-sem-saída
Nem a saída.

Engenheiro emocionalmente irracional,
Sistematicamente emocional,
Caoticamente calculista,
Perdido em suas emoções
E em seus pensamentos,
À beira de um abismo.

Engenheiro sem razão,
Sem calcular consequências,
Sem saber que pode ferir,
Sem saber que erra,
Vê seu labirinto desmoronar
Sobre ele e sobre aqueles
Que um dia envolveu
Em suas monstruosa criação.
Então ele se encontra no abismo.
Um monstro abissal.

Engenheiro das emoções,
Procurando uma razão
Para o que sente sem pensar,
E para o que pensa sem sentir.
Paradoxo.

E sente,
E pensa,
E não sente,
E não pensa,
Não sabe mais quem é,
Nem o que é.

Homem Biomecânico

Linha de montagem,
Produção em série
Indústria de controle de mentes,
Informação e hipnose.
Caracterização infalível.
Desumanização.
Massificação ordenada.

Armadura orgânica,
Máscara viva,
Sem face,
Esqueleto metálico,
Mente programável
Controlável.
Eis que surge o homem biomecânico.

Sinédoque

I

Às vezes olho para o céu da noite
E vejo a lua e conto estrelas.
Como é grande o Universo.
E como eu sou pequeno.

Olho para a natureza do mundo
E vejo como segue o ciclo da vida
Do qual faço parte.
Tudo é tão perfeitamente impensado.

Refugio-me sob o tapete de nuvens
E aproveito a chuva que molha meu corpo
E lava meus pensamentos e minha alma.
Sou vivo.

II

Perto de tanta grandeza
E beleza,
E perfeição,
Sinto-me tão só.

Que estranha solidão
Quando estou rodeado
De tudo que me faz bem,
Quando estou completo
Das partes que sempre foram minhas.

Não me sinto só,
Eu sou só.
Eu sou a chuva que cai,
Eu sou a perfeição impensada,
Eu sou o Universo,
Eu sou Deus.

Eu sou a parte,
Eu sou o todo,
Eu sou um,
Eu sou tudo,
Tudo é um, um é tudo.

O Poeta e o Vento

Uma folha de papel ao vento,
Belas palavras em vão
Voam em direção ao esquecimento
E carregam consigo o amor,
Que elas eternizaram,
Quando escritas a lápis.
Vento,
Leva para longe deste coração
A essência de meus dizeres.
Liberta deste corpo a alma que nele há,
Salva-a deste cárcere.
Liberta deste mundo o homem que nele vive e sonha,
Salva-o da ilusão.
Leva contigo este corpo e esta alma,
Esta vida e este amor.
Faze de mim parte de ti,
Para que eu possa carregar a minha própria essência
Para todo o sempre.
Quero ser o vento que carrega o meu amor,
Eternizado, não em palavras,
Mas na alma que carrego
Enquanto homem,
Enquanto poeta,
Enquanto o próprio vento.

Amor, Sonhos e Utopias


O amor é a maior das utopias
De utopias vive o mundo
O mundo e nossos olhos
São todos cegos.

As utopias criam loucos
E criam distâncias
Distâncias atrozes não impedem
Que este louco ame.

Eu tenho olhos
Capazes de enxergar,
Sou louco por minhas utopias.
Mas elas não são utopias,
Pois são concretas
Dentro de mim.

Meu amor não vem dos sonhos
Os sonhos vêm do amor
Sonhos são utopias
Meu amor é real e constante
E dele vêm as utopias.