sábado, 31 de janeiro de 2009

Visões


Há quem veja no tudo um nada,
Há quem veja no nada um tudo.
Nos olhos iluminados e cegos de quem vê
O tudo é nada.
Ruas vazias,
Cidade fantasma:
Paisagem inóspita.
Nos olhos escurecidos pela luz
O tudo existe.
Mesmo que onírico
É visto.
Mesmo que epifânico
É vivido
E aproveitado.
Tudo tem cor,
Tudo tem beleza:
Paisagem apolínea.
O mundo é nossos olhos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Tempo [pt2: Vida]

O que é um século para todo o sempre?
Um parte insignificante de um todo.
Um século não levanta montanhas,
Mas ainda assim a montanha não levanta para sempre.
A eternidade é muito mais do que tudo.
E muito menos do que tudo.
O tempo não pode saber de si mesmo,
Afinal ele mesmo não pode saber quando perecerá.
Tudo é efêmero, temporal,
Menos o próprio tempo...atemporal.
Uma vida passa,
Mas nada é para o tempo senão uma contradição:
A morte encerra e inicia a vida para o tempo.
Mas o tempo, sem aquele que o vive,
Não pode ser tempo,
Mas um vazio eterno.
O tempo só é tempo para o homem
E o homem só é homem se houver tempo.
O que é uma vida para o tempo?
Tudo e nada.
O que é o tempo?
Um paradoxo.