quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

As Lágrimas Alheias À Tristeza Intrínseca

Chora o céu,
Choram os homens,
O céu derrama lágrimas de alegria
Que escorrem nos rostos
E entristecem.
Sabor amargo,
Na verdade insípido,
Mas insolúvel
Não é por que são melancólicas,
É porque somos melancólicos
E tornamos em dor próxima
O simples passar distante.
Dor sentida,
Sensibilidade sem sentido.

Assim como os problemas
Eles não são.
Tornam-se em verdade pela
Corriqueira menção e idealização.
Eles não existem por si só.
Nós os criamos e eles nos dominam.
Criamos para justificar nossas incapacidades
E acabam eles por nos tornar mais incapazes,
A Criatura domestica o criador.

Não seria mais fácil, matar a larva
Para não enfrentar a fera.
Não pensemos em soluções,
Mas em continuidade do equilíbrio.
Não façamos um remendo
Somente não criemos o buraco a se remendar.

É a hora em que deveríamos parar de pensar,
E passar a viver.

Viver sem o medo
Do que vem de nós,
Viver sem medo do que nos assombraria
A nossa consciência.

---------Coautoria com Cris Kozuki

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Eu

Tudo que fui:
Uma lembrança,
Tudo que serei:
A esperança,
Tudo que sou:
A incerteza,
Tudo que ainda resta:
Eu.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Luar


Se tudo, embora, é sempre noite,
Aproveita, pois, a lua cheia!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

VirtuAlive


Realidade virtual,
Virtualidade real.
Divergência sintática,
Pequena antítese,
Discrepância semântica,
Tempo em vão.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Senoide

Puramente, limitada
Entre picos,
Positivos e negativos,
Mas nunca maiores
Que o módulo de 1.
Casualmente interrompida,
Ao fim de um período,
Para que outro comece,
Diferente,
Em outro lugar.
Harmonia,
MHS,
Leis do Universo.
E os pensamentos?
Estão confinados,
Entre nós e ventres.
Desculpa-me Fourier,
Esta senóide não tem série.

Obs.: Idéia do Cris!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Oscilações

O tempo propaga,
A vida é um batimento,
A morte é ressonância.

Complexo de Isaac

Capacidade contínua.
Estática, dinâmica.
Cria-se muito bem
Quando tudo que incide
Sobre você resulta em nada.
A resultante nula.

A idéia flui
E se desdobra em outras milhares.
É a reação à ação de tentar.
Consegue-se muito bem.
Agora.

Caneta e papel,
Atrito físico e mental,
A reação de tentar,
Dissipa a ação,
Desaceleração,
Sistema não conservativo,
Temperatura alta,
Cérebro fundindo,
Repouso.
Delta tinta = x,
Delta texto = 0,
Sem ponto final


---> Co autoria com Cris.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Click


Com estes olhos tão estranhos
Observo o redor.
Maravilhas em foco,
Beleza intermitente
Em constante mutação.
Muitos abrir e fechar de olhos,
Mesmo que rápidos o bastante
Para apenas ensinar o que é luz,
Gravam na memória
O mundo instantâneo.
Se quero ver o mundo
Uma vez mais,
Click.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Estrelas


Prometi, às estrelas,
A verdade.
Torno-me, pois,
Não seu escravo,
Mas seu senhor.
Que seria delas,
Sem a minha verdade,
Senão apenas estrelas?

Para minha amada, Eliane!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Monólogo do Ser


Ser ou não ser?
Eis a questão.
Ser ou não-ser?
Definição.
Nem tudo que parece ser,
Pode ser.
É sutil,
Porém óbvio.
Ser é a existência.
Ser é o que pulula.
Apenas quem sustenta a própria leveza
Entende o óbvio,
Pode ser.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Penumbra


Pode a sombra chegar à luz,
Basta não olhar para ela.
A luz ofusca,
Desorienta.
Pode a luz chegar à sombra.
Energia dissipada.
É um ciclo,
Vicioso talvez,
Conservativo sempre.
Uma luz sempre cria sombras.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Equação do Blog

lim (Postagens) = 0
Criatividade→0

Bento de Lágrimas


Cá vêm as lágrimas,
Vis,
Porém bem vindas.
Choro porque vivo.
Chorei, logo, sorrio.

sábado, 4 de abril de 2009

Eu e Definições

Fisicamente sou um corpo,
Quimicamente sou um aglomerado de moléculas,
Biologicamente sou um conjunto de células,
Psicologicamente sou um louco,
Gramaticalmente sou uma redundância,
Poeticamente sou um paradoxo,
Esporadicamente sou eu mesmo,
Esporadicamente sou o outro eu mesmo,
Racionalmente sou humano,
Emocionalmente sou humano,
Humanamente sou engenheiro,
Humanamente sou poeta.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Visões


Há quem veja no tudo um nada,
Há quem veja no nada um tudo.
Nos olhos iluminados e cegos de quem vê
O tudo é nada.
Ruas vazias,
Cidade fantasma:
Paisagem inóspita.
Nos olhos escurecidos pela luz
O tudo existe.
Mesmo que onírico
É visto.
Mesmo que epifânico
É vivido
E aproveitado.
Tudo tem cor,
Tudo tem beleza:
Paisagem apolínea.
O mundo é nossos olhos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Tempo [pt2: Vida]

O que é um século para todo o sempre?
Um parte insignificante de um todo.
Um século não levanta montanhas,
Mas ainda assim a montanha não levanta para sempre.
A eternidade é muito mais do que tudo.
E muito menos do que tudo.
O tempo não pode saber de si mesmo,
Afinal ele mesmo não pode saber quando perecerá.
Tudo é efêmero, temporal,
Menos o próprio tempo...atemporal.
Uma vida passa,
Mas nada é para o tempo senão uma contradição:
A morte encerra e inicia a vida para o tempo.
Mas o tempo, sem aquele que o vive,
Não pode ser tempo,
Mas um vazio eterno.
O tempo só é tempo para o homem
E o homem só é homem se houver tempo.
O que é uma vida para o tempo?
Tudo e nada.
O que é o tempo?
Um paradoxo.